Aristeu, era um adorador de pássaros, criava vários,
canários, coleirinhas, anus, e se orgulhava muito de sua criação, todos
dispostos em belas gaiolas, que ele passava horas limpando e cuidando, um a um,
como se fossem seus filhos. Conversava com eles, colocava frutas , jiló,
amoladores de bico, água mineral enfim era um zelo só.
Anastácia sempre via o pai com os pássaros e achava-os
lindos, sempre admirando a gaiola e brincando com os delicados animais,
ajudava-o a limpar o chão das gaiolas, única tarefa que seu pai lhe confiava,
visto que ela era muito pequena e ele temia que a menina deixasse os bichos
escaparem.
Um dia uma canária, a preferida de Aristeu, havia posto
ovinhos, três, e ele colocara um ninho na gaiola para que sua menina pudesse
chocar com toda a tranqüilidade e conforto que tinha direito. Ia sempre ver a
sua garota, via se estava tudo bem para o árduo trabalho de chocar. A gaiola
foi estratégicamente colocada num alto prego a cima da maquina de lavar onde
não havia riscos.
Numa tarde Aristeu precisava sair, chamou Anastácia e lhe
mostrou a canarinha com os ovinhos:
-Filha ela vai ser mamãe, os filhotinhos estão dentro dos
ovinhos, por isso não pode mexer ta?
A garotinha observou o pai, mas mais atentamente olhava os
ovinhos e concordou com a cabeça. Assim Aristeu pode sair tranqüilo para
resolver seus assuntos.
Mais tarde naquele dia, quando Aristeu retornou a casa, foi
logo ver os ovos. Mas antes que pudesse chegar a área de serviço notou que a gaiola estava
torta, já prevendo o que ocorrera gritou pelo nome de sua filha, esta vinha com
as mãos na cadeiras e com cara de brava:
- Seu mentiroso, dentro dos ovinhos não tinha nenhum
passarinho hunf!
Diante da afirmação da filha Aristeu só pode sorrir, afinal
ela não fizera movida por maldade ou desobediência, mas pela mais pura
curiosidade infantil.